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Entrevista Jared e Jensen Ackles – paleyfest 2011

EXCLUSIVO: Jensen Ackles e Jared Padalecki falam sobre Supernatural, almas e desafios assustadores. ***Pode conter SPOILERS!***

Por Maureen Ryan – 20/04/2011
aoltv.com

“O mau não descansa” é uma frase bastante comum. Mas e aqueles que combatem o mau? Bem, se eles vivem no universo de Supernatural, eles também não descansam.

A sexta temporada de Supernatural com certeza trouxe novos desafios para os protagonistas, Jensen Ackles e Jared Padalecki.

Na primeira metade da temporada, Sam Winchester não tinha alma, Dean Winchester teve que se recuperar da perda do pouco que lhe restava de família e lidar com o assustador e sem sentimentos RoboSam, e os irmãos tiveram de lutar com uma ordem surpreendentemente difícil de criaturas e intrometidos demoníacos.

“O livro pegou aquelas ferramentas confiáveis que nós usávamos e as colocou de lado”, disse Ackles sobre a fase RoboSam. “Foi uma experiência perfeita. Eles deveriam nunca repeti-la”, ele brincou.

Na verdade, ficou claro na entrevista que os dois atores gostam bastante dos desafios queSupernatural lança para eles, seja o desenvolvimento de emoções fortíssimas ou episódios cômico-coloridos como o de sexta-feira “Frontierland”, uma distração agradável que os irmãos Winchester encontram no velho oeste.

Andar a cavalo e usar chapéus de caubói são uma coisa. Mas o RoboSam? Fazer o papel dele foi um pouco aterrorizante a princípio, recorda-se Padalecki.

“Você fica tipo: hã? Eu estou em um barco sem remos”, disse Padalecki. “Mas… foi legal tentar e pensar o que é uma alma? Onde reside a alma? De onde ela vem? Do seu coração, cérebro, sangue, fígado? Foi divertido fazer isso. Sem contar que eu adoro aquela expressão de atuação para resolver problemas”.

Não há spoilers na entrevista que segue abaixo, na qual eles falam sobre a evolução de seus personagens, a relação de trabalho e um episódio “intenso” da 5ª temporada que foi particularmente aterrorizante – mas do qual eles estão bastante orgulhosos.

Essa entrevista, que foi editada e um pouco condensada, foi conduzida antes de os atores subirem ao palco no evento Supernatural Paleyfest mês passado.

Maureen Ryan: Participar de Supernatural parece ser um ritmo bastante intenso. Como vocês fazem para arranjar aqueles momentos delicados ou emocionais no meio da agenda de filmagens?

Jared Padalecki: As minúcias, como [o antigo diretor de Supernatural] Kim Manners diria?

Sim.

JP: Eu acho que isso acontece por si só. Acho que uma das razões pela qual conseguimos encontrar os momentos é porque eles acontecem por conta própria quando se confia na caracterização e na pessoa com quem está atuando. Quando todos confiam uns nos outros, você está livre para brincar; um vai trazer coisas diferentes para a cena que o outro terá de arranjar e vice e versa. E é aí que você encontra o momento, eu acho, confiando em si mesmo e no outro ator.

Porque se você está meio preocupado demais… Bem, tivemos momentos com atores convidados, não vou mencionar [nomes], não que eu me lembre de algum, mas tivemos atores convidados e ficamos tipo: “Cara, eles estão tão nervosos que nós meio que teremos que carregá-los até o fim”. Por outro lado, também tivemos atores convidados que simplesmente nos impressionaram e nós nos animamos, “Legal! Vamos brincar!”. É como jogar tênis. Se você joga com alguém que é ótimo, então você vai jogar muito bem. Mas se a pessoa não consegue nem passar a bola pela rede, daí você também não vai jogar bem. Essa é a minha opinião.

Jensen Ackles: Sim, e também tem o fato de que nós dois estamos fazendo isso junto e de forma bastante intensa por muito tempo… Eu comparo isso com fazer esportes juntos há bastante tempo. Sabe, você pense em Tony Parker e…

JP: Tim Duncan.

JA: Tim Duncan. Eu, é claro, seria Tony Parker [risadas]. Mas quanto mais você joga e treina junto, mais, eu acho, você melhora a relação e se aproveita dela.

E eu acho que com isso, também conhecendo seu personagem – é bastante parecido com um músculo. Quanto mais você treina, melhor você fica, e então você pode forçar um pouco mais, passar para a próxima camada e contar com intuição dele assim como você conta com a sua. E, por isso, eu acho que fluxo e refluxo é o elemento chave para nós continuarmos melhorando.

Bom, e eles também gostam de jogar aquelas bolas de beisebol em vocês…

JA: Sim.

JP: Ah, sim.

Principalmente na primeira metade dessa temporada.

JA: Eu diria que aquele foi um esforço bastante difícil da série. Eu sei [que foi] pra mim porque eu ainda estava fazendo o mesmo personagem, mas ao contrário, pois ele estava totalmente diferente, o que é um testamento para o Jared. Eu acho que ele fez um ótimo trabalho com o Sam Sem Alma, mas para mim como ator, aquela relação foi cortada. E então eu não tinha mais com o que contar – sabe, conhecendo Dean assim como conheço, mas também contando com o Sam sendo Sam e terminando as coisas. Isso havia acabado e eu estava lidando com um monstro totalmente diferente.

Então, como ator, foi bastante difícil. Quero dizer, eu até chamei os roteiristas e disse: “Quando ele vai conseguir a droga de alma de volta? Porque isso tá me matando. To tendo que trabalhar duro agora para descobrir que diabos to fazendo”.

JP: Contudo, como isso se encontrou na tela – eu acho que como o Jensen estava meio que recuando e o Dean também, então talvez isso…

… se alinhou com a performance. Na verdade, eu tinha uma pergunta de um fã. Quando os irmãos finalmente se abraçaram e Sam estava com a alma de volta e vocês dois tiveram aquele momento, como foi aquilo?

JA: Bom, eu já tinha tido aquele momento antes. Eu passei por isso quando li o script. “Ah, finalmente vamos voltar às coisas boas”. Não estou dizendo que a coisa antes não era boa, só era uma série diferente, ou um tipo de relacionamento diferente, e jogar uma bola de beisebol gigante ou arrancar o sistema com um puxão violento por 5 anos para solidificar essa relação – foi uma bola enorme. Foi difícil acertar. Mas eu acho que conseguimos.

Sim. Vocês pareceram se divertir com isso de alguma forma. Em outra pergunta, um dos fãs disse: “Tivemos o Sam Lúcifer, o Sam do mal, o Sam Ursinho Carinho…

JP: Sam Ursinho Carinhoso! [risadas]

E então o RoboSam. Foi um desafio divertido para você ou foi um pouco irritante também?”

JP: Com certeza. Sim e sim. Foi irritante porque eu acho que você tem que extrair das suas experiências. Então, Dean e Lisa [por exemplo]. Todos nós tivemos relacionamentos dos quais você pode meio que extrair isso. “Ah, talvez isso pareça com um relacionamento passado”. Então você meio que tem de onde tirar tudo isso.

Eu tive uma reunião com [a produtora executiva e show runner] Sera [Gamble] no começo da temporada, daí ela assim: “Você não tem alma”. Eu não consigo puxar daquele tempo que eu não tinha alma. Então você fica tipo: hã? Eu estou em um barco sem remos. Mas foi uma [experiência] divertida, para cima e para baixo. Foi legal tentar e pensar o que é uma alma? Onde reside a alma? De onde ela vem? Do seu coração, cérebro, sangue, fígado? Foi divertido fazer isso. Sem contar que eu adoro aquela expressão de atuação para resolver problemas.

Mas como Jensen disse, também foi meio… Bom, droga, estou tão acostumado com anos dessa relação que um se alimentava do outro e construía essa história que foi difícil ignorar isso. E eu me via, em algumas cenas, meio: quando estávamos tendo um daqueles momentos eu queria repetir o que o Sam com alma teria feito e eu simplesmente não podia.

Você estava fora da sua zona de conforto, de verdade…

JP: Sim, o que é bem legal…

JA: Nós dois estávamos. O livro pegou aquelas ferramentas confiáveis que nós usávamos e as colocou de lado. Então foi… uma experiência perfeita. Eles deveriam nunca repeti-la”. [risadas]

Um dos fãs perguntou: “Agora que é o Sam Ursinho Carinhoso de novo, o Dean volta a ser Dean? O Dean que conhecíamos?”

JA: Acho que mais ou menos. Quero dizer, a experiência ainda está lá e não foi embora. Essa é outra camada adicionada à personagem – o fato de que ele lidou com esse Sam de um modo completamente diferente e, então, isso vai elevar seu nível de proteção com Sam para nunca mais voltar aquilo.

Então talvez tenha bem mais do comportamento protetor. Ele sempre foi um irmão mais velho protetor, mas agora é tipo “Eu sei quais são as penalidades se eu deixá-lo ir”.

Mas também seu personagem teve esse arco domesticado e que também parecia ser importante para ele como um marco no desenvolvimento.

JA: Foi. E eu conversei com os escritores sobre isso também, porque esse é um cara que viveu caçando coisas sobrenaturais, e daí ele sai disso por um ano e tenta se adaptar a um modo de vida domesticado. Eu falei com eles: “Ele não deveria ser uma pessoa diferente, ele deveria ser apenas o tipo peixe fora d’água”. Então quando ele volta para a água é como “Ah”, mas ele ainda teve aquela experiência e [semelhantemente,] ele ainda teve que lidar com o Sam Sem Alma.

Agora ele vai ter de lidar com aquele elemento e aquele conhecimento – de como é a vida do outro lado. Obviamente, ele formou um relacionamento com dois personagens [Ben e Lisa] e isso ainda permanece verdadeiro. Ainda há uma parte dele, um pedacinho de seu coração que ficou com Lisa e Ben. Então eles vão usar isso com certeza.

Algum de vocês já estudou com professores de teatro?

Ambos: Não.

Parece que a agenda de vocês não tem espaço para isso, não é?

JP: Teve um cara no estúdio por…

JA: Alguns dias.

JP: É, ele veio por alguns dias…

JA: Só por alguns dias [no início da 1ª temporada] ou algo assim…

Sério?

JP: Sim. Foi por quatro dias durante “Wendigo”.

JA: É, é. Eu acho que [o estúdio] Warner Brothers só queria um tipo de babá, porque era uma série importante e nós éramos uma dupla de jovens atores. Eles só queriam ter certeza de que [tudo estava bem]. Mas depois disso era só [Jared] e eu meio que se apoiando em nossos instintos e um no outro.

JP: É.

JÁ: Mas eu nunca tive nenhum treinamento formal de atuação.

Isso é impressionante por causa da experiência que vocês têm que ter como atores. Não há muitos dramas que viram comédia por uma hora inteira – e ainda se atêm ao centro emocional da série.

JA: A série ainda mantém o longo fio, sim.

Exatamente. Então para vocês é divertido ter esse equilíbrio entre comédia e drama?

JA: Com certeza. Eu adoro isso.

JP: É um sopro de ar fresco.

JA: Não conseguiria achar melhor combinação ou…

JP: Situação.

JA: Se fosse apenas drama o tempo todo, quero dizer, imagina como seria deprimente? Então é de verdade um sopro de ar fresco. Quando aqueles episódios cômicos aparecem é tipo “Ah, legal! Vamos fazer algo diferente”.

JP: É muito divertido. Digo, zombamos de nós mesmos, o que fizemos várias vezes por 6 temporadas, [coisas] que ninguém chega a fazer. Quero dizer, não dá pra você nomear uma série que tenha…

JA: Quebrado a quarta parede…

JP: Quebrado a quarta parede como nós quebramos. E isso foi pura alegria.

Bom, em termos de coisas que são desafiadoras, o que foi mais difícil para vocês? Vocês falaram sobre o desafio do RoboSam. Isso é o tipo de coisa mais complicada que vocês tiveram, ou houve coisas que foram mais difíceis?

JP: Eu acho que Lúcifer foi bem difícil. Sim, eu acho que Lúcifer foi mais complicado do que o RoboSam por causa da, para entediá-la por um segundo, quando eu juntei meus pensamentos e pensei sobre o processo e voltei na história das almas e o que a alma resume, eu acho que quando você não tem alma, você usa a razão pura. Não te faltam razão nem maldade. Você não é um sociopata como “Psicopata Americano”. Você vai mais “Bem, talvez eu mate uma pessoa inocente, do contrário essa pessoa inocente vai matar três pessoas inocentes, então tudo bem, bang”.

Lúcifer tinha motivos ocultos e ele tinha esse plano vil que ele achava que era ótimo. E tem uma citação que eu gosto “Todo mundo é o herói de sua própria história”. Lúcifer achava que era o herói de sua própria história. É tipo “Não, o papai está contra mim. Eu não sou mau, sou um anjo”. Como “Eu te amo, eu amo rosas, eu amo cheiros e visões, é só que… todos vocês não são anjos, eu sou um anjo”. Então ele tinha motivos ocultos, e é mais difícil se desvencilhar de quem você é e se tornar [aquele personagem] do que ficar vazio.

Certo, certo. E você, Jensen? Falamos sobre esse arco passado, aquele em que Sam não tinha alma, mas o que mais representa um desafio grande pra você?

JA: Bom, qualquer tipo de qualquer tipo de histórias ou cenas especiais com emoções fortes. Eu diria que esses são os momentos mais desafiadores que fazem o dia parecer [produtivo]. Sempre que gravo uma cena bastante emocional ou algo que realmente impulsiona a história, algo que retira algumas camadas, eu vou pra casa e me sinto como se tivesse feito um trabalho muito bom. Eu meio que me instalo, o que é gratificante pra mim.

Tive algumas dessas cenas, que vão aparecer semana que vem, [durante a filmagem do último episódio] e eu não as tinha tido por um tempo, mas voltando uns anos, quando Sam ia morrer e Dean estava falando sobre seu corpo… São momentos como esse que são tipo, sabe, em um gráfico eles são picos na minha memória como ator do que foi o meu trabalho. E pra mim é meio complicado assistir algumas dessas cenas também. Porque eu me lembro das emoções que eu estava sentindo mesmo. Porque o cérebro sabe que não é real, mas o corpo não.

E você, Jared? Quero dizer, se tivesse que escolher momentos que você está tipo “Tenho orgulho de dizer que fiz isso”?

JP: A coisa mais difícil foi Lúcifer e eu fiquei orgulhoso disso. Eu realmente adorei o episódio.

JA: Quando você tá no jardim de rosas? É. Essa foi, eu achei, provavelmente uma das melhores cenas que ele já fez. Eu me senti como parte do público naquela cena. Como se eu estivesse assistindo sua performance. Eu estava apenas vendo um ator fazer um ótimo trabalho. E às vezes eu esquecia que tinha a minha fala.

“Uh, ooops, minha vez”.

JA: É, “Ow, espera, minha vez”.

JP: Quando te desafia demais, você pode enfiar uma pena no seu chapéu e gritar tipo “UAU!” eu temi a cena. Eu estava nervoso sobre ela. Você não fica nervoso, sério, quando se trabalha 180 dias por ano [por] seis anos. [Normalmente] você tá mais “Ok, é outro dia”. Mas é mais: Ok, sabemos o que vamos fazer hoje, nós vamos e teremos alguns fluxos e refluxos. Mas aqueles picos e vales são extremos.

JA: Todo aquele episódio…

JP: Aquele episódio todo foi intenso. Acho que para nós dois.

JA: Foi bastante intenso pra mim porque eu fiz o papel do Dean mau.

Você não praguejou pra si mesmo em momento algum? Você não gritava pra si mesmo?

JA: Ah sim, tivemos um duelo de grito, e eu acabei tendo minha atuação dupla [de falas] fora da câmera, e ele não é ator de jeito nenhum então eu tinha que lembrar o que eu ia fazer e entender tudo isso. Foi um tremendo jogo de ilusão pra mim, e daí chegamos ao fim da agenda de filmagens e ele aparece e apenas sai vencedor do parque com Lúcifer.

JP: Mas foi divertido.

Bom, isso com certeza mostra que vocês dois trabalham duro e se preparam de verdade. E eu sei, com base nas mensagens que recebo dos fãs, que eles gostam disso tudo.

JA e JP: Obrigado!

E é por isso que essa série está conseguindo histórias no New York Times e capas naTV Guide, e coisas desse tipo.

JA: Isso foi legal.

JP: E Jeopardy.

Jeopardy?

JA: Nós fomos uma pergunta do Jeopardy. E o cara não entendeu.

Obrigada Isabel Cristina que nos enviou o link da entrevista.
Tradução feita por Lislaine exclusivamente para este site, não reproduza sem os devidos créditos à este site!