Jared Padalecki – Brazilian Fansite

Entrevista Traduzida: EW’s The Ultimate Guide to Supernatural

Entrevista originalmente postada pelo site Entertainment Weekly no dia 29/09/2017.
Tradução feita por Rebeca Almeida exclusivamente para este site. Por favor não reproduza sem os devidos créditos.

As estrelas de Supernatural se abrem sobre os momentos que mudaram a série.

As estrelas Jensen Ackles, Jared Padalecki e Misha Collins enfrentaram rápidas mudanças e alguns desvios surpreendentes durante a notável jornada da série.

Jared Padalecki ainda consegue se lembrar do exato passo para a primeira temporada de Supernatural: “Rota 66 encontra Arquivo X, irmãos nas estradas secundárias da América caçando coisas que assombram à noite”. Foi assim
que ele e Jensen foram ditos para promoverem a série, o que, em seu primeiro ano, era só isso – Sam e Dean Winchester perseguindo lendas urbanas de estado à estado.

Mas com o passar do tempo foram adicionadas algumas sentenças a esse passo original. Assim como uma boa viagem de carro, houve algumas curvas – e a ocasional encruzilhada – pelo caminho. Embora a série permaneça sendo sobre dois irmãos nas estradas secundárias da América caçando coisas, essas “coisas” agora incluem tudo desde espíritos vingativos à amigos imaginários e até mesmo o próprio Lúcifer. Afinal, uma série não dura 13 temporadas sem ajustar seu plano de jogo. Para Supernatural isso tem significado uma mitologia sempre em expansão, algumas mortes chocantes, alguns personagens ressuscitados, quebrar a quarta parede e muito mais. No entanto, uma coisa permaneceu verdade: Sam e Dean Winchester vão fazer o que for possível para salvar o mundo e, ainda mais, salvar um ao outro.
E eles farão isso enquanto viajam por essas estradas aparentemente sem fim em seu Impala 1967.

Encontrar John Winchester (interpretado por Jeffrey Dean Morgan) era o objetivo dos garotos na primeira temporada, embora isso tenha terminado sendo sobre o quão difícil era manter John por perto uma vez que ele foi encontrado. A reunião da família Winchester foi de curta duração: a primeira temporada terminou com um acidente de carro e o destino dos três homens no ar. E então houve o acordo demoníaco que John fez com o mesmo monstro que eles estiveram caçando.

Jensen Ackles: Tudo o que importava até aquele ponto era achar nosso pai. Nós o achamos, continuamos a lutar juntos, e então nós o perdemos, e agora nós éramos dois órfãos.

Jared Padalecki: E eu acho que essa foi a primeira vez que trouxemos alguém dos mortos, e foi você [para Ackles].

Ackles: Eu morri no acidente de carro, e ele negociou sua vida com Azazel.

Padalecki: Eu acho que essa foi a primeira que vimos um personagem principal morrer e voltar. E aquilo foi um total voto de confiança. Então nós falamos sobre os ceifeiros e o véu e o que acontece com a sua alma.

Ackles: Isso quando entramos na vida após a morte.

Padalecki: Isso foi uma pequena mudança de título no que Supernatural pode fazer.

Ackles: Com a introdução do Inferno e pactos demoníacos – o que é engraçado, porque se você pensar nisso agora, o [criador] Eric [Kripke] sempre soube sobre isso porque nossa mãe fez um pacto com o demônio do olho amarelo.

A próxima mudança viria mais tarde na segunda temporada, estabelecendo as bases para a introdução dos anjos bem antes de Castiel abrir suas asas naquele celeiro abandonado na quarta temporada.

Padalecki: No episódio “Houses of the Holy” foi a primeira vez que nós falamos sobre anjos em Supernatural. Jensen e eu estávamos tipo “seja qual for a sua religião, seja qual for a nossa, nós não estamos aqui para te converter. Nós estamos aqui para fazer uma série de televisão, mas nós queremos que seja universal. Então nós realmente tivemos uma chamada de conferência com Eric Kripke, e dissemos “Hey, cara, nós não sabemos como nos sentimos sobre isso”.

Ackles: Nós não queríamos ser porta-voz para telespectadores religiosos, porque não era a série na qual nós assinamos para entrar. Nosso argumento era: “Nós confiamos em você. Você fez bem conosco até agora. Portanto, essa é a nossa única preocupação, e nós só estamos pondo a mesa para que possamos discutir isso”.

Padalecki: E eles nos ouviram, e acho que por isso eles esperaram mais ano e meio antes de introduzir nosso segundo e mais famoso anjo. Acho que essa foi a única vez que nós reunimos eles para uma reclamação. Porque eu não sou um roteirista. Eu não quero ser um roteirista. Eu gosto de trabalhar como ator. Mas aquilo foi legitimamente como “Olhe, se você vai falar sobre religião, eu não quero fazer parte disso”.

Misha Collins: E agora, surpreendentemente, 11 anos depois, tanto da série foi baseada em lenda e mitologia bíblica, que foi realmente extraída da Bíblia. Uma coisa interessante para nós é que ao longo do caminho nós acabamos conversando com padres, pastores e ministros, até mesmo freiras, que amam a série.

Ackles: [para Collins] Nós fomos ao Vaticano. Nós fomos à Basílica de São Pedro, e lá tinha um padre da Carolina do Sul. Ele era um fã da série, e ele fez uma missa privada para nós na frente da pintura de Miguel derrotando Lúcifer. Ele disse “eu achei que isso seria apropriado para vocês”.

Collins: Isso foi mágico.

Ackles: Foi incrível, mas meu ponto é que nós estivemos em um dos lugares mais religiosos do mundo, e eles atendem a pessoas de uma série que lida com histórias inspiradas na religião.

Padalecki: Mas não contando a mesma história da Bíblia.

Ackles: É esse o ponto. Nós não estamos tentando contar as histórias da Bíblia. Os roteiristas pegam inspirações de elementos bíblicos e então os elabora. Então quando entramos nessa discussão original, Eric veio com: “Nós não estamos aqui para contar a história de Jesus Cristo. Nós estamos aqui para pegar esse elemento e usá-lo como uma inspiração para a estória”. Eu acho que isso aliviou qualquer preocupação que eu e ele tivemos. E ao mesmo tempo nós realmente confiamos no Eric e confiamos até hoje.

Outro voto de confiança veio com o episódio da segunda temporada “Hollywood Babylon”, que pode ser considerado o primeiro meta episódio da série. Abriu a porta para tudo desde o episódio “The French Mistake” da sexta temporada, até o crossover com Scooby-Doo na 13ª temporada.

Ackles: No episódio “Hollywood Babylon” foi a primeira vez que nós fizemos graça de nós mesmos e debochamos da indústria.

Collins: Esse tem sido um grande exemplo de que você pode ter essa duração absurda e quebrar as regras. Ler um script em que estamos fazendo um episódio de Scooby-Doo faz eu me sentir orgulhoso. Onde mais podemos fazer isso?

Padalecki: Que outra série faz isso e tem uma quantidade de fãs tão animados que eles vão fazer algo assim? Você consegue imaginar se JAG ou NCIS fizesse um episódio de Scooby-Doo? As pessoas ficariam “O quê?” Nós não só quebramos a quarta parede, fizemos um episódio meta, mas esses acabam sendo os nossos melhores episódios.

O final da quinta temporada está no primeiro lugar do ranking de episódios na EW, mas aquele momento foi importante por várias razões, sendo uma delas a despedida do criador Eric Kripke.

Collins: O episódio “Swan Song” foi outro marco histórico porque marcou a culminação da visão original do Eric para a série. Ele tinha em mente um seguimento para a quinta temporada que se juntou perfeitamente em um arco, então seguiu em frente e entregou as rédeas para Sera [Gamble]. E se tornou: “Certo, agora vamos descobrir como começar um novo episódio ou um novo volume em uma série de episódios”.

Padalecki: É a estória da qual todos nós nascemos, aqueles de nós que fomos introduzidos nos primeiros cinco anos. Então ter o criador saindo? Eu diria que essa é a maior mudança.

Gamble serviu como showrunner nas temporadas 6 e 7, essa última contendo outro momento de um personagem principal: a morte de Bobby (Jim Beaver), a figura paternal de Sam e Dean.

Padalecki: Bobby foi uma parte tão grande. Jeffrey Dean Morgan não foi uma parte tão grande. Ele obviamente foi uma parte importante, mas fez somente alguns episódios, e Jim Beaver fez aproximadamente 60 episódios. E tinha algo sobre sua morte que nós sabíamos que era conclusivo… ou conclusivo para Supernatural.

Ackles: Porque seu personagem disse “chega”. Então não foi como se ele tivesse sido morto acidentalmente e nós pudéssemos achar uma maneira de trazer o Bobby de volta. Ele estava tipo “eu estou pendurando aqui, galera.” Era pesado.

Padalecki: Essa provavelmente foi a primeira grande morte de alguém que esteve na série por anos…

Ackles: [interrompendo] Um favorito dos fãs…

Padalecki: Sim, e eu me lembro do Mark Pedowitz [presidente da CW] dizendo algo como “Como um fã, eu odiei quando o Bobby morreu, mas foi necessário.” Foi assim que eu me senti.

Ackles: Como quando o Sam Winchester morrer de vez, vai ser bom. Mas quando Dean sobreviver, vai ser ótimo. [Todo mundo ri].

No final da 12ª temporada nós vimos a introdução de um mundo apocalíptico alternativo no qual Sam e Dean nunca nasceram e Céu e Inferno estão presos em uma guerra eterna. E com esse mundo vem a possibilidade de alguns personagens voltarem. Mas isso parece um ponto de retorno?

Collins: Bem, eu acho que a fenda e o fato de que você pode entrar no mundo apocalíptico e subitamente revisitar cada personagem em uma interação diferente – pode haver uma versão diferente de cada personagem – se abre para uma panóplia incrível.

Ackles: Por que não ter os mesmos personagens numa versão diferente?

Padalecki: E se existe um universo alternativo, então quantos outros existem? É difícil dizer, porque eu sinto como se fosse impossível identificar um ponto de retorno em uma rotação. Em retrospectiva, isso vai revelar como essa estória vai afetar a série, o cânone em geral e a forma como vamos seguir em frente. Mas eu certamente sinto como se estivéssemos abrindo portas com a fenda e o filho de Lúcifer.

Collins: Também é difícil porque nos primeiros cinco anos nós tivemos esses episódios totalmente surpreendentes. Tantas coisas foram levadas ao extremo que é difícil chegar a um novo extremo tão grande que abre aquele mundo novamente.

Padalecki: É quase como um paradoxo, mas nós contamos essas estórias de um jeito que é baseado na realidade. Essa não é uma série fantástica. Isso não é um há muito tempo numa galáxia muito muito distante. Parte da nossa premissa é que isso é esse mundo. Nós estamos contando estórias loucas, mas isso é no mundo em que você vive agora. É incrível ver nossos roteiristas, que são incrivelmente talentosos, tecerem isso e tentarem colocar um pino quadrado num buraco redondo. É incrível ver e ser parte disso.

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